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domingo, 24 de outubro de 2010











Vimos da escuridão e somos luz
ou nascemos da luz e somos sombra?
teresa balté






Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? Eu adoro voar.

clarice lispector













quanto ao amor. deixarei de lado esta estranheza: de ter o coração quase na boca e nem saber como respiro ainda. o resto, tudo o que não disse, por um acaso típico da morte, escrevo depois, quando o coração souber onde está. e se fugíssemos, eu e o coração, contigo, se por um acaso igual, típico da morte, nos levasses. só para um lugar de onde não saíssemos.










terça-feira, 19 de outubro de 2010
































diluída no quotidiano
fujo tão lentamente que
parece que fico

miriam reyes










Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.

ferreira gullar









um dia morri só. era dezembro. um frio fazia fora. e dentro o corpo morto não falava. quando a mão acordou não havia outra mão, só ela aberta ao metal da cama. tudo muito pálido. e os olhos abertos à humidade do tecto e um rosto enorme, metido num corpo pequeno, a perguntar pelo meu nome. fugiu. não sei dele, atirou-se ao mar e foi com as correntes quentes para o sul. quis chorar mas o rosto enorme não sabia do meu nome, nem eu de mim. já tarde alta dei com ele, debaixo do corpo, enfiado num espaço breve entre o lençol e a pele. ficara ali o tempo todo. morri e ele ali. nasci e ele ali. quis pô-lo no lugar mas ele não quis, disse-me - já não sou teu. ninguém deve morrer sozinho e sem nome. penso. agora que as horas se encurtaram e o tempo corre. talvez um dia destes morra. talvez, de novo. talvez a mão acorde e seja outra vez só e o nome não seja meu. talvez. ou talvez eu não seja do nome nem morra nem o tempo seja tão curto. um dia quero estar certa de estar viva. ainda hoje quando acordo tenho o costume de chamar pelo meu nome. ainda acredito que possa estar escondido no espaço breve entre o lençol e a pele. um dia morri só. era dezembro. nenhum rosto era o meu por onde passava, só uma sombra muito grande me perseguia pelas ruas, em todas as esquinas, por todos os passeios, em cada beco. só aquela sombra grande e eu. quando parava ela parava, se eu andava ela andava. a certa altura corri, corri tanto e tão depressa para a despistar que quando dei conta já não sabia da casa, nem do corpo. tinha deixado tudo para trás. até os braços, que nunca me abandonaram, me faltavam. foi quando me sentei à espera que o corpo me procurasse, talvez com ele trouxesse a casa, que me apercebi que a sombra ainda ali estava. chorei.























        








domingo, 17 de outubro de 2010






































A minha vida é hoje 
um sítio de silêncio
                                               ruy belo










Não mais a literatura, os seus
fúteis e imperiosos desígnios
- julgamos dizer, insistindo
numa ourivesaria do terror
e em gestos que sabem o quanto
chegam tarde. Quando sós,
à boleia do crepúsculo, dizemos
coisas assim, mentimos com
os dentes todos que não temos.

E a mentira (a literatura)
é ainda a improvável derrota
de que não nos salvaremos
nunca. Tão igual à vida, portanto:
pouso o copo, recupero o fôlego,
fumo uma silepse. Sei que vou morrer.

E isso que - talvez - nos diz
é uma evidência que escurece
(tivemos por amigo o desconforto).

Quanto ao mais, vamos andando.
Casados ou sozinhos. Mortos.



manuel de freitas





primeiro desceu às árvores, ocupou-lhes a madeira, envelheceu-lhes o casco. mais tarde foi o céu cinzento, os pássaros sem asas. as flores, já não eram flores, secas. depois veio até ao rosto e ali ficou a amortecer a pele. as rugas, o frio. os olhos brancos, tão brancos. e os lábios de um roxo morto, pelo menos assim apareciam à boca quase sempre fechada. era outono. pelas ruas crescia um rumor deserto.





ne me quitte pas.




















                                                                                                                                                                                                               













Irreparável 










Há uma rotação irreparável do teu corpo
irreparável quer dizer que já não a podes parar
irreparável é alumbrada a alegria
o ar fugindo todo o mar subindo até ocupar
todo o campo do céu e
contudo
pudesses respirar o ar irrespirável.
Contra todas as evidências em contrário, a alegria


manuel gusmão


















tenho um amor sentado no (para)peito. do lado de dentro um pequeno coração, do tamanho de um berlinde, fala na língua dos homens. já os braços se cansaram de o segurar, já o amor cai. num lugar longe, imagino, uma cabeça pensa o coração do tamanho de uma caixa de fósforos e há dois olhos que choram, tanto. perto uma boca fechada chama pelo teu nome.


amour.

















sábado, 9 de outubro de 2010



























resta qui











terça-feira, 5 de outubro de 2010

























# l'anniversaire



quero apenas cinco coisas
a primeira é o amor sem fim
a segunda é ver o outono
a terceira é o grave inverno
em quarto lugar, o verão
a quinta coisa, são os teus olhos
não quero dormir
sem teus olhos.
não quero ser...
sem que me olhes.
abro mão da primavera
para que continues
a olhar-me.

                                  pablo neruda.










ao meu amor, o primeiro e o último.

o teu rosto blindado de estrelas.
os teus olhos sempre dados à memória do beijo
dos lábios que ainda não se tocaram.
às vezes sinto-me quase só
como agora
é quando fecho os olhos e sinto a tua boca.










senhor Éme







domingo, 3 de outubro de 2010






















sábado, 2 de outubro de 2010


















toda a tarde.
todo o dia.
tanta coisa.


tanta.































quinta-feira, 30 de setembro de 2010






















quarta-feira, 29 de setembro de 2010




















terça-feira, 28 de setembro de 2010




















segunda-feira, 27 de setembro de 2010

sábado, 25 de setembro de 2010

































































quinta-feira, 23 de setembro de 2010








































para ti.














terça-feira, 21 de setembro de 2010

















sexta-feira, 3 de setembro de 2010