quarta-feira, 20 de maio de 2009

#155



salvador dali

#154

* estou cansada, sozinha, trabalhei 12 horas, comi mal. quero outra vida que esta não me serve. é-me curta.

# 153

saber do nosso fim é morrer devagar, matar as ruas, as esquinas, a cidade inteira dentro da íris, empurrar a solidão garganta abaixo e estatelar memórias, como vidro estalado de encontro ao chão. saber do nosso fim fez-me pensar que os pássaros se quiserem voam mais que as nuvens.

#152

* entrevista de emprego na goldenpoint.

#151

tempos houve em que a solidão berrava do alto da serra, a voz morta entre as giestas secas do caminho, nesses tempos acreditava-se que os homens eram trapos estendidos na eira, ao sol, e que o sol murchava os rostos e envelhecia.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

#150



somos tão sós e tão pequenos.

#149

quero morrer como um poema,
solenemente.
esbater-me contra todos os sentimentos
e chegar ao extase,
depois desmembrar-me até que alguém me perceba,
rima por rima,
perder a forma.
devagar esquecer que sou feita de letras,
deixar-me ser outrém,
alguém menos triste, menos isto,
menos eu.