sábado, 23 de maio de 2009
#161
já dentro da ferida fomos semelhantes
contornos da mesma dor
espadas de um ás fora de baralho
nós
cansados de perder a forma dos gestos
de caiar amores como quem grita por ajuda
fomos inteiros na semelhança
ou indiferença de duas estações primeiras
e enquanto houver luar todas as noites
existiremos
gosto de ti numa forma de gostar que só eu sei
contornos da mesma dor
espadas de um ás fora de baralho
nós
cansados de perder a forma dos gestos
de caiar amores como quem grita por ajuda
fomos inteiros na semelhança
ou indiferença de duas estações primeiras
e enquanto houver luar todas as noites
existiremos
gosto de ti numa forma de gostar que só eu sei
quinta-feira, 21 de maio de 2009
#160
casualmente hoje vi os plaggio, casualmente gostei, não por serem alternativos mas porque nos levam para espaços interiores distintos. com os plaggio aprendi a ausentar-me da mesa de café, da sala, do edifício ou da cidade inteira. a cada batida fugimos de nós, esquecemos casualmente quem somos e vamos, consumidos pela energia de um canto a duas vozes indiferentes, com o não jeito de um pássaro que passa sem se aperceber que não tem asas. apagamo-nos do mundo, renascemos como pequenas crianças de bigode. são sete os elementos que nos unem como se fossemos pequenos traços de um desenho: o guitarrista da esquerda, que a cada acorde nos devolve uma realidade ausente, o baixista que migalha a migalha alimenta o curso natural do tempo, o baterista que finge não saber o bom que é sentir o mundo inteiro aos pés e se aparta connosco, o guitarrista da direita que por entre os espaços nos habita, a voz grave que nos desperta, a voz suave que nos embala. são sete os elementos que, casualmente, esta tarde me fizeram sentir viva.
parabéns aos plaggio e um bem-haja
pelos breves momentos que me proporcionaram
na fnac da rua de santa catarina.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
#156
Dorme, que eu penso.
Cada qual assim navega
pelo seu mar imenso.
Estarás vendo. Eu estou cega.
Nem te vejo nem a mim.
No teu mar, talvez se chega.
Este, não tem fim.
Dorme, que eu penso
Que eu penso nesse navio
clarividente em que vais.
Mensagens tristes lhe envio.
Pensamentos… – nada mais.
Cecília Meireles
Cada qual assim navega
pelo seu mar imenso.
Estarás vendo. Eu estou cega.
Nem te vejo nem a mim.
No teu mar, talvez se chega.
Este, não tem fim.
Dorme, que eu penso
Que eu penso nesse navio
clarividente em que vais.
Mensagens tristes lhe envio.
Pensamentos… – nada mais.
Cecília Meireles
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