quarta-feira, 3 de junho de 2009

#174

Quietos fazemos as grandes viagens
só a alma convive com as paragens
estranhas

lembro-me de uma janela
na Travessa da Infância
onde seguindo o rumor dos autocarros
olhei pela primeira vez
o mundo

não sei se poderás adivinhar
a secreta glória que senti
por esses dias

só mais tarde descobri que
o último apeadeiro de todos
os autocarros
era ainda antes
do mundo

mas isso foi
muito depois
repito


josé tolentino mendonça

#173

* ando a ler "o último suspiro do mouro# de salman rushdie, espero não me arrenpender de investir plea primeira vez em literatura internacional.  

#172

poderemos rasgar palavras como quem despe afectos,poderemos fingir abraços, dois corpos dados um ao outro

mas despedidas e faltas nunca. 

terça-feira, 2 de junho de 2009

#171

#170

[...] descobri então, em primeiro lugar, que amar não é mudar a outra pessoa, a que julgamos ser a certa; amar não é persuadi-la a tentar alterar a sua personalidade, ao ponto de a tornarmos, intencionalmente ou casualmente, não só uma parte de nós mas um novo "nós", uma imagem criada à nossa semelhança num acto de total egocentrismo e individualismo. persuadirmos a outra pessoa a mudar não se trata somente de lhe propormos essa ideia, ainda que a proposta por si só me pareça intolerante, trata-se também de a confrontarmos com ela, tentando por outro meio atingir o mesmo objectivo: a mudança. haverão muitos meios para alcançar este objectivo assim como, certamente, outros modos, no entanto não me parece haver um meio/modo menos doloroso, tanto para nós como para a pessoa que tentamos alterar/mudar.
...


de um quase ensaio sobre um quase amor,
por margarete da silva

#169



quero braga, a cidade de calor tingida, os postais velhos por detrás da sé, o teu rosto no meu pousado. pode ser?

#168

* primeiro dia de trabalho na goldenpoint, mergulhada entre biquinis e lingeries.