segunda-feira, 26 de outubro de 2009
o caminho é sinuoso e os ventrículos contraem-se,
o amor é melindroso e paro para articulá-lo.
devagar, meticuloso, passo ao lado
deste poço em versão gira-discos estragado,
toca a mesma música no epicentro do sismo,
eu mesma,
prelúdio do esconjuro de cenas, de coisas, de peças,
eu mesma,
edito os meus olhos e pinto-lhes o avesso, tons de saudade.
profícuo, promíscuo em desarmado calabouço.
princípio derradeiro de um fim forasteiro,
engulo as pautas de silêncios a preceito.
eu mesma.
engulo.
eu mesma.
sábado, 26 de setembro de 2009
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
"Tudo me interessa e nada me prende. Atendo a tudo sonhando sempre; fixo os mínimos gestos faciais de com quem falo, recolho as entoações milimétricas dos seus dizeres expressos; mas ao ouvi-lo, não o escuto, estou pensando noutra coisa, e o que menos colhi da conversa foi a noção do que nela se disse, da minha parte ou da parte de com quem falei. Assim, muitas vezes, repito a alguém o que já lhe repeti, pergunto-lhe de novo aquilo a que ele já me respondeu; mas posso descrever, em quatro palavras fotográficas, o semblante muscular com que ele disse o que me não lembra, ou a inclinação de ouvir com os olhos com que recebeu a narrativa que me não recordava ter-lhe feito. Sou dois, e ambos têm a distância - irmãos siameses que não estão pegados."
bernardo soares
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