terça-feira, 6 de julho de 2010
Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura
Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio
Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante
Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício
Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola
Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita genteque come
Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!
Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir de tudo
No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra
.a pastelaria. mário cesariny
domingo, 22 de novembro de 2009
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
e por certo sabes: está escuro dentro das veias, enquanto corro ou adormeço a dor no peito, enquanto a dor existe, se dor houver antes da morte, como se a morte fosse feita de noite e não lhe coubessem estrelas. e por certo sabes como é mórbido o sentimento como este, tão entrelaçado ao corpo, tão consumado de vento que se embriaga, colossal até ao lamento último de todas as coisas, no cárcere do peito. estou hoje em apuros, creio, sempre estive, mas hoje mais do que sempre.
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