sexta-feira, 9 de julho de 2010
















# que lado do coração constrói as noites?































edvard munch
































A partir de agora, todo o poema que fale de amor, fora.
Todo o poema que não revolucione, fora.
Todo o poema que não ensine, fora.
Todo o poema que não salve vidas, fora.
Todo o poema que não sobreviva, fora.
Vou deixar um anúncio no jornal:
Procura-se poeta. Trespasso-me.









ana salomé







quinta-feira, 8 de julho de 2010










































(excerto – estrofe final – do poema CORPO VISÍVEL)
"Contra ele meu amor a invenção do teu sexo
único arco de todas as cores dos triunfos humanos
Contra ele meu amor a invenção dos teus braços
maravilha longínqua obscura inexpugnável rodeada de água
por todos os lados estéreis
Contra ele meu amor a sombra que fazemos
no aqueduto grande do meu peito O MAR"





















"Faz-me o favor de não dizer absolutamente nada!
Supor o que dirá
Tua boca velada
É ouvir-te já.

É ouvir-te melhor
Do que o dirias.
O que és nao vem à flor
Das caras e dos dias.

Tu és melhor -- muito melhor!--
Do que tu. Não digas nada. Sê
Alma do corpo nu
Que do espelho se vê."



mário cesariny



































olhei
o pânico sideral do corpo
constantemente avesso à frequência do sono
quase sempre confuso
obtuso
dentro da boca o ruído do corpo
aberto à ausência do abraço
fora da pele
a imobilidade absurda do espaço.