terça-feira, 31 de agosto de 2010











O vento é um cão sem dono,
a lamber a noite imensa.
A noite não tem sono.
E o homem, entre sonhos, pensa.

E o homem sonha, dormindo,
que o vento é um cão sem dono,
uivando-lhe aos pés estendido
para lamber-lhe o sonho.

E não soou ainda a hora.

A noite não tem sono:
alerta, sentinela.


Dámaso Alonso









domingo, 29 de agosto de 2010


















eu moro










dentro das paisagens.


















beijo.




















# um sorriso dentro de outro.







































surdo
está o mundo.
penso:
o corpo suspenso
com a boca ao peito.
o rosto fecha os olhos
é já noite.
aos pés do poema
morre o coração.
a lágrima cai
surda muda
face funda
abaixo.
o poema
não.














































sábado, 28 de agosto de 2010














#


numa palavra ou noutra
vamos todos acabar por morrer

numa palavra cresce
amor
enquanto o sinto

noutra palavra morre
amor
enquanto o penso





#

não há vento
ou o pânico do silêncio
revisitado
































são as palavras que desaparecem pela pele dentro até ao coração. como dizer adeus às coisas, tantas, e não saber onde é que elas estão. e já no peito não morrem, com ninhos feitos ficam-me nos ossos. quisera eu matá-las de silêncio mas não dizê-las, como não dizê-las se o corpo me pede que as chore. dentro da boca há um necrológio, morre o teu nome. e sou toda a saudade repetida, todo o longe onde não fomos.