sexta-feira, 3 de setembro de 2010
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
quando à noite grita há noite dentro, quando à noite chora há noite fora. e era assim desde a invenção dos sentimentos, quando lhe enterraram um coração dentro do peito. antes não havia noite nem sombra dela ao fim da tarde, nem existiam gritos e choros nem dentros e foras, antes era o tempo de ver correr o mundo e ir com ele. era-lhe impossível desatar agora os braços do corpo, desamarrar o corpo desse outro onde o coração lhe morava,desapertar os ossos até lhe cairem as dores.
Meus amigos sou de vidro
Sou de vidro escurecido
Encubro a luz que me habita
Não por ser feia ou bonita
Mas por ter assim nascido
Sou de vidro escurecido
Mas por ter assim nascido
Não me atinjam não me toquem
Meus amigos sou de vidro
Sou de vidro escurecido
Tenho fumo por vestido
E um cinto de escuridão
Mas trago a transparência
Envolvida no que digo
Meus amigos sou de vidro
Por isso não me maltratem
Não me quebrem não me partam
Sou de vidro escurecido
Tenho fumo por vestido
Mas por assim ter nascido
Não por ser feia ou bonita
Envolvida no que digo
Encubro a luz que me habita
Lídia Jorge
nos dias tristes não se fala de aves
liga-se aos amigos e eles não estão
e depois pede-se lume na rua
como quem pede um coração
novinho em folha.
nos dias tristes é inverno
e anda-se ao frio de cigarro na mão
a queimar o vento
e diz-se bom dia!
às pessoas que passam
depois de já terem passado
e de não termos reparado nisso
nos dias tristes fala-se sozinho
e há sempre uma ave que pousa
no cimo das coisas
em vez de nos pousar no coração
e não fala connosco.
filipa leal
Subscrever:
Mensagens (Atom)
