sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
tinha só ainda tantas coisas para te dizer. se te lembras da água, do vento, das flores, de mim. de todos os dias, de todas as manhãs frias, da geada nos braços a caminho da escola, da mão sempre dada à minha, de todas as tardes, do monte, dos socalcos, das ervas daninhas presas às pernas, de todas as noites à porta de casa o corpo me esperar. da chuva. dos ossos. da vida que dói. do tempo que passa. se te lembras de chorar, de ficar só. não esperes por mim. não volto. tinha só ainda tantas coisas para te dar. nenhum natal foi nosso, nenhum pinheiro e as mimosas não voltam nem a poça enche. e nem te dei o mar, nem a terra é nossa.
sábado, 15 de janeiro de 2011
Nunca o verão se demorara
assim nos lábios
e na água
- como podíamos morrer,
tão próximos
e nus e inocentes?
eugénio de andrade
. a tua pele tão fria. era manhã. o teu corpo magro numa urna pequena. o teu cabelo curto. a tua pele tão pálida. nada te disse. não soube falar. chorava. toda a noite estive a teu lado, rodeada de memórias. levaram-te. nenhuma eternidade te esperava à entrada do cemitério. só meia dúzia de rostos tristes e eu. não pude levar-te ao colo. não soube falar. nem chorar. talvez o meu corpo fosse como o teu. frio. pálido. por dentro da terra.
deixa ficar o silêncio. um pedaço de terra tingido de mar. avó. deixa ficar. ando tão triste. todas as portas andam comigo. entreabertas. só um pedaço de mar. frio. no corpo ainda. que o corpo não sabe da tua morte. nem eu a digo. nem eu. avó. tenho saudades tuas. de quando fugias do tempo. da janela onde o teu rosto aparecia todas as tardes. não sei que fazer das portas por onde passaste. e as janelas já não batem com o vento. nem o coração. nem as tardes. e o tempo não foge. ando tão só. ninguém tão perto. avó. não chores. está tudo bem.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
francesca woodman
sempre tão só. noites tão frias. e a primavera fora e não tem volta. não há nenhum regresso. nenhum caminho tem este destino. só. não sei que fazer do corpo. nos cabelos o escuro. crespo. as mãos. murchas. e é sempre o mesmo adeus. todos os dias. mal amanhece. mal é dia. mal me quer. bem me quer. é madrugada. é choro. é riso. é tarde nos relógios e na casa. o teu rosto não aparece ás minhas horas. só.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
era uma vez à entrada de uma casa. a porta quase fechada. o peito ao frio. os olhos tão dentro da cara. a cara tão dentro do pescoço. o pescoço tão entre os ombros. tão entre o corpo. o corpo tão dentro. tão entre. a vida. uma vez tinha nas mãos uma flor. tão pequena. tão murcha. tão morta. já. depressa. a geada. a neve. na casa. na porta. no peito. nos olhos. no pescoço. nos ombros. no corpo. na vida. uma vez triste tantas vezes chora. esta era uma vez assim. deitou os olhos aos pés. voltou o corpo. correu. já perto o tempo. passado. fugiu. como uma memória que não lembramos. uma vez.
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