sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Soledad
Antes que o sol se vá
como um passaro perdido
também te direi adeus,
Soledad, Soledad
Também te direi adeus....
Terra
Terra morrendo de fome
Pedras secas, folhas bravas
Ai quem te pôs esse nome
Soledad, Soledad
Sabia o que são palavras…
Antes que o sol se vá
Como um gesto de agonia
Cairás dos olhos meus
Soledad
Indiazinha
Indiazinha tão sentada
Na cinza do chão deserta
Que pensas, não pensas nada
Soledad, Soledad
Que a vida é toda secreta...
Como estrela, como estrela
Nestas cinzas
Antes que o sol se vá
Nem depois não virá Deus
Soledad, soledad,
Nem depois não virá Deus
Pois só ele explicaria
A quem teu destino serve
Sem mágoa nem alegria
um coração tão breve
Também te direi adeus
Soledad, soledad
cecília meireles
fica.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
rui cardoso
... sonho com uma velhice silenciosa e melancólica, a mão esquecida sobre a cabeça de um cão. o olhar preso ao cíclico fascínio das águas e dos jardins. sonho com uma velhice onde a solidão não doa. solidão superpovoada de amigos, de silhuetas andróginas para o amor, de rostos belos como sensações de sorrisos, de mãos que aprenderam a falar.
al berto
costumávamos falar noite dentro. nunca te disse que o coração me doía. como dizer-te se te doía o corpo todo. tinhas sempre uma palavra pronta. na ponta da língua à espera. ou então era o silêncio que vinha de visita. punhas as mãos à volta do meu pescoço e sorrias com o nariz encostado ao meu. pedi-te tanto para não morreres. nestas noites últimas tenho pensado tanto em ti. pensado tanto. que o teu rosto me está preso nas retinas. vejo-te em todo o lado. o dia todo falo contigo. coisas vulgares como o tempo ou as estações. e é quase primavera. plantávamos mimosas na jarra da sala. amarelas. sorrias tão alto. não havia humidade nas paredes. e as flores do tojo recostadas na varanda. sinto a tua falta.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
e
estava tão tarde no rosto. mais tarde no pescoço a mão. o braço que antecede o tronco. o tempo é encostar a cabeça. lançar o corpo ao vento. tenho saudades da mão. talvez um dia quando os lugares não forem deste tamanho. de olhos fechados. o amor.
*
o teu nome é um pedaço de terra.
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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
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tínhamos um sonho. do outro lado da janela o sargaço. depois da fala o silêncio. já noite escura o mar e os olhos abertos na água. vivíamos o absurdo de ter uma casa sem nome. um não lugar onde abraçar um corpo. nada. nada. nada. quanto mais fundo mais quieto. mais tranquilo. mais sossegado.e eu acordava e abraçava-te muito. a tua voz por cima dos meus ombros. davas voltas ao corpo e desaparecias. tudo é um sonho quando abrimos o mundo.
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margaret durow
domingo, 6 de fevereiro de 2011
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Olhos postos na terra, tu virás
no ritmo da própria primavera,
e como as flores e os animais
abrirás as mãos de quem te espera.
eugénio de andrade
Era preciso agradecer às flores
Terem guardado em si,
Límpida e pura,
Aquela promessa antiga
Duma manhã futura.
sophia de mello breyner
que faremos com as palavras não ditas. o não dizer às manhãs o dia. se for noite. que dizer da noite se for dia. não dizer. que faremos com as palavras não ditas como coração ou amor. que dizer.
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