terça-feira, 8 de julho de 2014









lieke romeijn

















Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei

Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso

Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo

Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento

sophia de mello breyner andresen










que nem um amor te encontre:assim cantavam as velhas na soleira da porta mais antiga que conhecemos - olhavas para mim sorrindo. seguravas a minha mão como quem fica - ao início da tarde uma lagartixa atravessa o terraço e vai abeirar-se de um charco quieto à sombra - era uma vez uma menina pequena. tão pequena que te cabia no bolso do vestido. contava muitas histórias de meninos e meninas felizes mas ninguém ouvia. da sua boca pequena uma voz muito baixa. como um segredo - cheiro a terra seca e o sol alto. forte. pousa nos ramos das árvores de fruto - o cão aninha-se nas minhas pernas: que calor. que calor - sai cão. sai - e o cão corre. grito: dia-man-ti-no - só uma nuvem muito branca interrompe o azul. já quase noite outras vêm juntar-se a ela - tenho frio - pousas uma mantinha de linho nas minhas costas e chegas-me para ti. ficamos assim. muito encostadas. a ouvir cantar os grilos - quero pedir-te que não morras e se morreres. promete que me vens abraçar de vez em quando - sorris e aproximas a tua boca do meu ouvido: como um segredo -














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